PCP denuncia «mentira e mistificação»

DEO agrava roubo<br> de salários e rendimentos

O PCP reagiu ao anúncio do Documento de Estratégia Orçamental do Governo, considerando-o «um passo mais na escalada de roubo dos salários e rendimentos dos trabalhadores e do povo».

O DEO é mais uma peça na obra destruidora do Governo

Tomando posição através de uma nota do seu Gabinete de Imprensa, emitida no próprio dia em que o DEO foi tornado público pelo Governo, o PCP denunciou desde logo o «descarado exercício de mentira e falsificação» em que assentou a apresentação deste documento. Na verdade, longe das intenções proclamadas, o que está verdadeiramente em causa com o DEO é a ambição de prosseguir e intensificar, em 2015 e nos anos seguintes, uma política de «agravamento das injustiças e desigualdades, de aumento de exploração dos trabalhadores e favorecimento do grande capital nacional e estrangeiro, de redução do poder de compra da generalidade da população e de asfixia da actividade económica e das pequenas e médias empresas».

Concretizando, o PCP acusa o Governo de levar por diante uma «política de mentira», pois, ao contrário do que proclama, «o que sucederá em 2015 é, não a reposição de salários ou pensões de reforma, mas sim a confirmação do seu roubo». De facto, acrescenta, o que fora anunciado como transitório para o período do chamado programa de «assistência financeira» será tornado permanente.

Já a política de aumento da exploração e das injustiças fica clara com a opção do Governo de manter a «carga fiscal brutal sobre os rendimentos dos trabalhadores», por via do IRS, ao mesmo tempo que prevê o aumento da Taxa Social Única e um novo agravamento do IVA. Por outro lado, mantém-se o «bónus fiscal por via do IRC para o grande capital e os seus lucros».

Urgente ruptura

Especialmente penalizados com as medidas previstas no documento serão os trabalhadores da Administração Pública e os reformados e pensionistas: os primeiros através dos cortes decorrentes da imposição da Tabela Remuneratória Única, da redução nos suplementos e do aumento dos descontos para a ADSE; os segundos através da «substituição de uma contribuição apresentada como sendo de natureza extraordinária (a CES) por uma nova taxa de carácter permanente, a que acresce o impacto do aumento do IVA que também sobre eles recairá».

Para o PCP, as medidas anunciadas contribuirão para uma «nova contracção do mercado interno». Esta contracção, acrescenta, não se limitará a arrastar muitas centenas de pequenas e médias empresas para a falência como será igualmente um «factor de estrangulamento ao crescimento económico».

Na nota de dia 30, o PCP denuncia ainda a «colossal mistificação e embuste por parte do Governo, que faz crer que prescinde de uma diminuta parcela do colossal roubo nos salários e pensões de reforma quando, na verdade, sobrecarrega os trabalhadores com mais contribuições com o aumento de preços de todos os produtos e bens essenciais».

As medidas constantes no DEO, salienta ainda o Partido, são indissociáveis do pacto de agressão que PSD, CDS e PS subscreveram com a troika estrangeira, bem como dos compromissos destes mesmos partidos com o Tratado Orçamental da União Europeia. O objectivo, garante, é «perpetuar o actual rumo de exploração».

O DEO vem, assim, tornar «ainda mais actual e urgente a exigência da derrota do Governo e da sua demissão» e a ruptura com a política de direita.

 



Mais artigos de: PCP

Inaceitável ingerência

O Secretário-geral do PCP reagiu com um forte protesto ao anúncio da marcação de uma iniciativa da troika para o próximo dia 25, considerando-a uma «ingerência» inaceitável na vida nacional. «O FMI, o BCE e a UE fazem tanta questão de afirmar que...

70 anos de uma jornada histórica

O PCP está a assinalar o 70.º aniversário das greves de 8 e 9 de Maio de 1944 na região de Lisboa e no Baixo Ribatejo. Estas paralisações, convocadas e dirigidas pelo Partido, mobilizaram milhares de pessoas que reclamavam pão e géneros, num momento marcado pelos...

Grande comício da CDU

A CDU realiza no sábado, 10, um grande comício no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, no qual marcarão presença o Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, dirigentes das outras componentes da Coligação (Heloísa Apolónia, pelo PEV, e Corregedor da...

Unidade e luta

Uma delegação do PCP esteve no dia 28 de Abril junto às Minas da Panasqueira, numa manifestação de solidariedade com os seus trabalhadores, que realizaram uma greve de dois dias (ver página 19). No documento distribuído valoriza-se a «grandiosa luta na defesa do...